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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Maria, a estagiária


- Maria, Maria!, grita o chefe.
Quando ela chega até a sala, vê uma pilha enorme de folhas para fazer xerox. Vida de estudante e estagiário é assim mesmo: qualquer trabalho, menos um que interesse.
Enquanto faz xerox, ela sonha com o dia em que vai aparecer na TV como jornalista e apresentadora responsável pelo Jornal Nacional – logo após a aposentadoria da Fátima Bernardes; sonha ainda com o momento em que vai frequentar festas importantes, com pessoas famosas e quando vai ser multimilionária.
Mal sabe ela que vida de jornalista nem sempre é assim – leia-se quase nunca, uma em um milhão de chances. Noites sem dormir fechando edição de amanhã, matérias rejeitadas ou simplesmente com partes cortadas pelo editor, para no final, seu nome não ser reconhecido ou divulgado. Trabalhar o dia inteiro e dormir nas aulas da faculdade durante a noite. Fazer plantão justo no final de semana daquela festa que tanto esperava. Veste-se de manhã, olha no guarda-roupa e não encontra aquelas roupas de grife.
Maria olha para os pés. O All Star desbotado, sujo também e rasgando do lado; a calça jeans surrada, a camiseta da empresa que é grande demais para ela. Pensa no dia em que vai usar terninho, como a Fátima Bernardes ( olha como ela sonha em ser global), que vai usar salto e sentar em uma bancada para um programa de TV ou ser entrevistada pela Marilia Gabriela como jornalista revelação do ano.
A máquina do xerox apita. O telefone toca. O chefe grita.
Maria, em voz baixa, faz uma promessa para ela mesma: “Nunca mais vou ser estagiária”. Mal sabe ela que estagiário, no futuro, se torna um dos melhores profissionais – e mais disputados!


Gislaine Windmöller e Daniele Santos  

Consciência pesada

Noite de Sábado, muito frio e sem vontade de sair. É dia de assistir filme, tomar vinho enrolado em um cobertor. Dá preguiça de cozinhar, o negocio é pedir uma pizza.
Isso foi o que fiz no sábado passado.
Liguei para uma pizzaria cujo telefone tenho colado na geladeira. Uma moça atendeu bem humorada. Pedi uma pizza media com dois sabores: Portuguesa e Brócolis. Ela perguntou se eu queria um refrigerante, mas como ia tomar vinho não pedi. Ela já tinha o meu endereço, pois a empresa instalou um software que identifica em um telefonema o nome, o endereço, as últimas encomendas. E eu sou cliente há um tempão. Pediu apenas para confirmar se endereço da entrega era o mesmo. Recomendei que quem fosse entregar a pizza buzinasse na frente do prédio, pois meu interfone está com defeito há séculos. A garantia era que dentro de “quarenta minutinhos” eu estaria recebendo a encomenda.
Tenho a impressão que quando eu estou com fome as coisas demoram mais. Em quarenta minutos “loquei” um filme em um camelô próximo. Por cinco reais iria assistir “A Origem” com Leonardo Di Caprio, se é que isso interessa agora. Quando voltei tomei banho, arrumei a cama, abri o vinho, liguei a televisão, “zapeei” por todos os canais sem encontrar algo que me chamasse alguma atenção. Normal para um sábado à noite. Coloquei o filme e constatei que já se passava dez minutos dos quarenta combinados.
O que parecia que estava tudo se encaminhando bem começou a “azedar”. Tenho a impressão que cada ano que passa eu fico mais impaciente. Mas enquanto decidia se ligava ou não para a pizzaria e reclamava do atraso escutei o barulho de uma moto se aproximando. Após alguns segundo a buzina soou conforme a minha recomendação. Desci para o andar de baixo para receber o entregador.
Como já estava impaciente já fui perguntando quanto é que ficava. Ele olhou para uns papéis e disse um valor que me pareceu muito baixo. Estendi o dinheiro, mas ele não viu e foi logo abrindo a caixinha que fica na traseira da moto. Retirou de lá um embrulho pequeno, não era a minha pizza. Parecia um “Xis” e tinha outro endereço fixado nele.
Falei que esse não era o meu pedido. O entregador tinha errado o volume. Ele balançou a cabeça “tsc desculpe senhor, peguei o pacote errado”. Conferiu o papelzinho que tinha na mão, aproximou e afastou dos olhos e voltou-se a caixa da moto “ah é a pizza!” Revirou a caixa e com um cuidado que me pareceu exagerado retirou a minha encomenda. “Que cara lerdo meu Deus” pensei.
A minha impaciência começou a aumentar. “Tá e quanto custa?” Perguntei ríspido. Ele olhou de novo, pra mim parecia que ele já tinha olhado tempo demais, para aquele papel. Fiquei a ponto de tomar de suas mãos e eu próprio ver quanto custava. Agora falou o preço que me pareceu condizente com a encomenda embora achasse injusto que a pizzaria cobrasse três reais a mais pela entrega. Passei-lhe o dinheiro que tinha. Precisava de troco. Abriu sua pochete e começou a contar o dinheiro. Pra mim era uma eternidade. Quando finalmente conseguiu entregar o que me era devido ele falou “obrigado senhor, tenha uma boa noite e desculpe o engano”.
“Certo” respondi, fechei a porta de vidro e antes de subir resolvi observar aquela pessoa que trouxe a minha janta. Enquanto ele fechava a caixa de encomendas e se preparava para partir, notei algo que deveria ter sido “visto” antes de sequer ele chegar a minha porta.
Deveria ter em torno de quarenta anos, o rosto era curtido do sol. Tive a impressão que trabalhava de dia e era entregador à noite. Suas roupas eram surradas, muito desbotadas. Seu casaco era de couro falso, seu cachecol estava esfarrapado e as luvas com alguns furinhos na ponta dos dedos. Não consegui ver os sapatos. A moto parecia que tinha vindo de uma viagem muito longa, do Nordeste talvez, para fazer aquela entrega. Era velha empoeirada e tinha muitos riscos na pintura.
Um sentimento de culpa começou a brotar dentro de mim. Pensei na vida daquele homem. Olhei o relógio e eram nove e trinta e cinco da noite daquele sábado. Que tipo de pessoa trabalha nesse dia, nesse horário, com esse frio entregando pizzas? Aquele cara não devia estar fazendo isso por diversão. Certamente tinha uma família. Deveria ser casado e ter filhos. Sendo assim deveria alimentá-los. Se ele estava ali aquele horário e não com os Seus é por que a coisa não deveria estar muito folgada. Aquele cara estava ali por que precisava e muito daquele dinheiro que eu a pouco pensara em reclamar. Fiquei me perguntando que horas ele iria descansar. E quando ele poderia fazer o mesmo que eu tinha me preparado para fazer aquela noite.
Quando ele se foi me senti nojento. Eu não tinha falado nada que pudesse ser considerado um desrespeito. Mas tinha pensado. E esses pensamentos, que ele não tinha nem como notar, pois estava preocupado com o seu ganha-pão, corroeram alguma coisa em mim que eu não sei exatamente onde.
Olhei para aquela situação e vi que esse não é um caso isolado. A gente sempre anda por aí sem notar as pessoas e nem consegue pensar um pouco o quanto elas batalham para sobreviver. O cara que trouxe o meu jantar, que eu ia comer assistindo um filme, deitado na cama, enrolado no cobertor e tomando um vinho, eu não sabia nem o nome. Apenas achava que ele estava muito enrolado e que deveria ser mais ágil. Percebi também que em diversas vezes reclamei quando na verdade o mínimo que eu deveria fazer era agradecer e entregar uma gorjeta pra esse cidadão que consegue viver com aquele trabalho sofrido, importante e digno. E tudo o que eu “consegui” foi pensar em seus defeitos como se eu não tivesse os meus.
Esse fato me fez lembrar um de um conhecido. Ele falou que a gente sabe o que é errado desde pequeno, nos primeiros anos de idade. Pois a gente se esconde pra mexer nas coisas dos pais. Não faz nenhuma travessura quando eles estão olhando. O padre, o guru ou pastor não precisam ensinar o que é pecado. A gente sente quando erra, mas é hipócrita de perguntar “isso é errado?” Foi o que eu senti nesse dia. A minha impaciência ridícula me fez cometer um erro e desrespeitar aquele cidadão. Era eu mesmo que estava sentindo os danos e era a minha consciência que me acusava.
Acho que os piores erros a gente comete antes de fazer ou falar qualquer coisa. É quando a gente pensa.

Marcos Oliveski

No inverno, nem tudo é tão frio!

Uma estação nem sempre bem vinda. Uma época do ano que nem todos gostam. Mas tudo tem seu lado bom, assim como um erro sempre é para aprender. Uma estação na qual as coisas passam a não ser tão cansativas, isso devido à temperatura agradável (não para todos).

Contra ou a favor, as pessoas discutem muito sobre as estações do ano. Mas não tem quem diga que no inverno tudo parecer ser mais bonito. O amanhecer é mais lindo, o anoitecer então, é incomparável. Aquele acinzentado do céu junto com o vermelho do sol, impossível não apreciar. O dia de chuva, gelado e muito bom para ficar em casa, assistir a um bom filme, tomando um chocolate quente, embaixo das cobertas, melhor ainda se tudo isso for ao lado de alguém especial. Um exemplo perfeito do que é ótimo no inverno e impossível de ser feito no verão.

Não há quem negue que as pessoas ficam com uma aparência muito melhor, se vestem de forma mais elegante, enfim, as pessoas acabam se sentindo bem, com vontade de viver e isso faz com que elas olhem a vida de outra forma. É claro que muitas vezes quando você está na rua o vento terrível que bate em seu corpo parece que vai arrancar a sua roupa e dessa maneira você sempre imagina um frio muito maior do que o é na realidade. Assim, a vontade de chegar em casa e aproveitar uma lareira, um café quente e uma coberta aumenta, diminuindo a vontade de querer realizar todas as tarefas do dia. Mas em compensação, o dia lindo, com folhas secas pelas ruas, e as vezes aqueles raios de sol entre as nuvens, conseguem transmitir uma felicidade tão grande que as pessoas podem fechar os olhos do olhar de fora e aproveitar o olhar interior.


Vanessa Bruinsma.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A saga de uma impressora

Quando um equipamento eletrônico, principalmente da área da informática, fica com problemas no funcionamento é sempre uma situação complicada. Pelo menos para mim o conserto se torna uma batalha. Relato aqui a saga com uma impressora, porque com o computador e a internet foi e está sendo bem mais estressante e complexa e você vai acabar desistindo da leitura.
O equipamento em questão para de imprimir, levo em uma assistência técnica para resolver o problema, mas até fazer entender que ela (a impressora) somente não imprime, porém continua fazendo cópias e o scanner funciona, já começou o sacrifício.
- Para quando fica pronto? Preciso logo.
Esquece, não adianta avisar que precisa logo. O técnico só vai verificar quando der vontade. Na outra semana retorno para buscar. Ainda não está resolvido. Ele dá uma olhada na hora, diz que ela está funcionando, que não tinha nenhum problema. Por gentileza, peço: quanto? Sem muito pensar ele já faz o preço, e não é pouco! E para que cobrar se não foi feito nada?
Levo para casa, instalo e nada de imprimir. Pego a impressora de novo e levo de volta, deixo lá por mais ou menos umas duas horas, retorno e ele informa que não tem o que fazer. Pelo menos desta vez não cobrou pelo serviço não feito.
De nada adiantou as viagens até o conserto. A solução é procurar outra assistência. Para ter certeza que quando for buscar a impressora ela seja sua mesma e não foi trocada por distração ou propositalmente, vale tudo, até marca de esmalte nela, nos cabos, nas fontes, no que der. Aproximadamente mais uma semana, eles decidem que o problema deve ser no computador, mas para garantir, informam que é preciso trocar o cabo também. Negócio feito a levo para casa. Testando...
- Que beleza ela está imprimindo!
Passa alguns dias e preciso fazer uma cópia, mas nada de sair alguma letrinha na folha. Ela entra e sai sem nada copiado. Conclusão: resolveram o problema da impressão, e inutilizaram a função cópias. Continuei assim, mais um tempo e o problema da impressão retornou.
Já estressada, sem tempo para levar na mesma assistência técnica, procuro mais uma, próxima de casa. Pego a impressora, os cabos, a tal da fonte, o computador e transporto tudo novamente. Explico a trajetória da impressora e relato todos seus sintomas.
-Quando posso buscar?
- Deixa seu número que entramos em contato.
Esquece também, você dificilmente receberá a ligação. Mas vou tentar esperar. Os dias passam e nada do aviso. Vou até o estabelecimento e é dado o diagnóstico do problema: o outro cabo e, por via das dúvidas, foram colocados cartuchos novos. Levo, instalo, ligo; uma página teste é impressa automaticamente e tudo funciona, finalmente! Espero que assim continue. No outro dia ligo a impressora, ela imprime novamente uma página teste. Estranho, mas continua tudo funcionando. No dia seguinte novamente a tal da página teste. Apesar de toda vez que a ligo imprimir uma página teste, e por consequência os cartuchos se esgotam mais cedo, pelo menos está funcionando. É melhor continuar assim do que levar novamente na assistência.

Deisi Fabrim

Acadêmicos representam a Unijuí no Intercom Sul

Entre os dias 26 e 28 de maio, cerca de 1,5 mil alunos de diversas universidades do Sul do Brasil participaram do 12º Intercom Sul. Foi, mais uma vez, o momento para debates acerca de variados temas sobre comunicação e integração entre os estudantes. Apesar da organização falha da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e da Universidade Estadual de Londrina (UEL), cinco acadêmicos da Unijuí apresentaram trabalhos e mais uma vez representaram a universidade longe de casa.


As atividades envolvendo as apresentações de trabalhos de estudantes de Comunicação Social e jornalistas diplomados ocorreram apenas na sexta-feira, 27. As alunas Marília Munareto e Michelle Tjäder apresentaram o projeto “Pesquisa empírica em comunicação: a experiência do Projeto Fronteiras” dentro do Intercom Júnior. Para Michelle, o aproveitamento no congresso regional foi positivo: “A apresentação e a troca de informações com colegas de outras universidades é sempre válido, acrescenta para o nosso crescimento como pesquisadoras É uma grande oportunidade de carregar o nome da universidade e expor o nosso trabalho no decorrer do projeto”.


O estudante Diogo Ferreira da Silva representou a universidade no Intercom Júnior com o trabalho “Publicidade e AIDS: análise dos comerciais veiculados pela mídia eletrônica”, assim como a acadêmica Rafaela Heming, com o artigo sobre o impacto da mídia televisiva na educação das crianças. Patricia Laura Kuhn, aluna da Unijuí que também esteve em Londrina, apresentou o artigo “Teoria da recepção e as reportagens sobre as falhas do Enem”. A acadêmica também participou do Prêmio Expocom na categoria Fotografia Jornalística. “O Intercom é um momento de aprendizado único. Reunir em um só evento cursos de comunicação social, nesse caso, de toda a região sul é um evento de troca de experiências”, aponta Patricia.






No sábado, 28, os acadêmicos ainda participaram de oficinas com profissionais de diversas áreas da comunicação. Foi o momento derradeiro para esclarecer dúvidas, conhecer novas pessoas e fazer novos contatos. O evento foi encerrado na tarde de sábado, com o anúncio dos vencedores do Expocom.


Na volta para casa, a recompensa do grupo que se esforçou em Londrina para representar a Unijuí foi a quebra do ônibus da excursão. A viagem de retorno começou às 14h, o veículo quebrou às 14h40 e a espera na estrada foi de quase 12 horas. Mesmo assim, a turma formada por alunos da Unijuí e da Unicruz manteve o ânimo (vídeo) até a chegada de um novo carro, que garantiu a volta para Cruz Alta e Ijuí. Oficialmente, o trajeto de retorno durou pouco mais de 24 horas.



Clique no link a seguir para conferir uma das "criações" dos alunos da Unijuí e da Unicruz durante o período de espera à beira da estrada.



http://www.youtube.com/watch?v=sQRH_L4nC0U

Um amigo e um amor

Acordei com aquele barulho pavoroso do despertador tocando, a chuva caindo no telhado e a luz da manhã ferindo os meus olhos. Sede. Estava com a boca seca. Meu amigo ou mais alguém ao meu lado?
Por que as coisas tinham que ser deste jeito?
Não ousaria dizer a ele que sabia o porquê. Era cruel demais fazer isto comigo mesma. Apesar dele ser um dos meus melhores amigos e saber tudo da minha vida.
Respondi: “É não sei o que acontece conosco, isso é mesmo um mistério.”
- Eu sou bom nisso, afirmou.
- Eu também sou boa.
- Eu sei querida, eu sei.
Nos abraçamos e ficamos ali sem trocar nenhuma palavra até o momento que adormeci até ser acordada pelo barulho atordoante daquele despertador.
Meu coração era uma pedra de gelo fixada ao meu peito, incapaz de se aquecer com qualquer atitude doce, com um toque. Não havia saída. Também era errado culpá-lo mas decidi que seria assim. Era melhor. Deixei o mistério no ar. Creio que com o passar dos anos ele nunca conseguirá entender o que acontecia entre nós.
Ele despertou, fingi que ainda estava dormindo, virei para o lado e senti sua mão em minha cintura.
- Bom dia! Que horas são?
-10:04
- Preciso ir. Ainda tenho que caminhar até o centro, justificou-se.
Não entendi o motivo de sua justificativa. Talvez seja comum, os homens fazerem isso sempre que acordam na casa de uma mulher, mesmo sendo ela sua melhor amiga. Deve ser para não magoar as do tipo mais sensível, o que não é o meu caso, ou pelo menos o que não é mais o meu caso.
-Até mais garota.
-Até baby.
Entrei em casa e em meio as minhas dúvidas e certezas percebi que aquele fantasma ainda me acompanhava. Agora ele havia parado de me causar dor, sofrimento, porém também tinha levado embora minha capacidade de sentir qualquer coisa.

Marizandra Rutilli e Laríssa Freitas

"Mais alguém sem passagem?"

Quando se é universitário tem-se o prazer de viver experiências incríveis e situações diversas. Para o estudante que mora distante da Universidade e tem que fazer uso de transportes coletivos, sempre tem situações engraçadas ou estressantes. Viajando uma hora e meia num desses ônibus intermunicipais que param a cada pouco, os tais pinga-pinga, relato o cotidiano de muitos outros passageiros. Compro a passagem, a sorte é que estudante com carteirinha ganha desconto, não é lá um grande desconto, mas somando as diversas viagens ajuda muito. Neste horário o ônibus “não é lá uma Brastemp”, mas o que importa é chegar ao destino e bem.
Ele deveria sair às 9h15min, geralmente este é o horário que ele estaciona, e só dá tempo de entrar ligeiro, enquanto o cobrador pega o Zero Hora na rodoviária. Sento nos primeiros bancos possíveis para não ter que se equilibrar muito até a saída depois. Partindo dali o cobrador se acomoda em pé nos degraus da escada e dá uma olhada no jornal, lê algumas manchetes e já é a vez de parar novamente para um passageiro descer e outro subir. O cobrador desce também, aguarda a transação e segue para onde o passageiro foi sentar. No seu equilíbrio diário retira uma caneta, às vezes, num costume tosco: de trás da orelha, outras vezes do bolso da camisa e puxa seu bloco de passagens da famosa e antiga pochete.
Mal ele se acomoda para continuar a leitura e mais passageiros aguardam na rodovia, cada um com uma mala, ou sacolas e sacos que guardam de tudo. As maiores, o cobrador guarda no bagageiro, e as menores, mas não tão menores assim, vão junto com o passageiro e pelo corredor quase levam os outros já acomodados junto. Numa dessas viagens um senhor esqueceu um saco com frutas no bagageiro, o cobrador sempre prestativo deixou lá guardado para que no próximo dia o passageiro pudesse pegar, quando o ônibus passasse em sua cidade. Porém logo no outro dia o ônibus destinado para aquele percurso não foi o mesmo.
Já na próxima cidade, uma voz surge, e eu, como muitos, já sei o que o cobrador vai falar: “última parada antes da rodoviária!” Nestas paradas o motorista e seu fiel cobrador aproveitam para fazer um lanche.
A viagem continua. Uma mulher tenta atender uma ligação, mas o sinal durante o caminho é péssimo, então ela vai aumentando o tom da fala e assim por sucessivas vezes até completar a conversa. De repente tudo em silêncio novamente e outro celular toca, toca, toca, mas ninguém atende. A campainha do ônibus apita, sinal que alguém pretende descer, porém ninguém se mexe. Deve ter sido engano de parada. Uma senhora comenta com a pessoa que está seu lado que vai descer na próxima entrada, e puxa a cordinha da campainha, mas o ônibus só para depois de um bom pedaço. Sempre é assim, quer descer num lugar puxe a corda a uns 500 metros antes.
Tem paradas que às vezes estão lotadas, todo mundo sobe e o cobrador, com uma facilidade, grava o rosto exato de cada um e vai lá vender a passagem. Boa memória instantânea, hein. Mas para prevenção ele exclama a famosa frase a cada parada:
- Mais alguém sem passagem?
Cada passageiro quer contar sua história, ou, o que vai fazer no destino descrito naqueles dois papéis coloridos. O cobrador ouve, concorda, discorda, mas não dá muita “corda”. E a viagem continua...


Deisi Fabrim