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terça-feira, 26 de julho de 2011

Há dez anos com a Unijuí FM


O programa é gravado no laboratório do Curso de Comunicação
 Por Vera Raddatz

Em agosto de 2001 entrava no ar, pela Rádio Unijuí FM 106.9 o programa Comunicação Social Clube cujo slogan é  "no ar com os pés no chão". Há dez anos no ar, acompanhando o movimento da grade de programação da emissora educativa da universidade, o programa é um projeto pedagógico do curso de Comunicação Social da Unijuí, coordenado pela professora de Radiojornalismo Vera Raddatz. A proposta é propiciar a alunos voluntários das habilitações de Jornalismo, Publicidade e Propaganda e Relações Públicas a vivência da prática radiofônica, desenvolvendo atividades de locução, redação, pesquisa musical e edição durante uma tarde por semana, quando o programa é produzido e gravado. Pode ser ouvido todos os sábados, das cinco às seis da tarde, pela Unijuí FM, constituindo-se por informações voltadas ao mundo da comunicação e da universidade, com destaque para as questões culturais.Veicula também as produções em áudio dos alunos do Curso de Comunicação Social e o programete da Usina de Ideias, a agência experimental do Curso. Pelo programa já passaram alunos que depois  ingressaram em emissoras da comunidade regional, como Juliana Gomes, Douglas Dorneles da Rosa, Priscila Callegari, Tamar Santos, entre outros. Atualmente, produzem e apresentam o programa as alunas de Jornalismo Elenise Carneiro, Marília Munareto, Michelle Tjäder, Patrícia Laura Kuhn e Vanessa Bruinsma.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Projeto "Rádio na Escola" inaugura duas rádios esta semana

Por Vera Raddatz
Profa Márcia Oldemburg montando a Rádio Otávio da Rocha 
Quando temos vontade de produzir e criar, os objetos a nossa volta podem ganhar novas funções. Uma sala que era o arquivo do patriomônio no Imeab vai abrigar a partir de quinta-feira dia 14, a Rádio Mandio: a rádio que cultiva idéias. Outra sala de apoio no segundo piso da Escola Estadual Otávio Caruso Brochado da Rocha já exibe na parede a logomarca da Rádio Otávio da Rocha, novos tempos, novas idéias. Estas são as mais novas rádios do Projeto de Extensão "Rádio na Escola",  do Curso de Comunicação Social da Unijuí, a ser inauguradas esta semana.

Letiane e Nadine, ensaiando para a estréia da Rádio Mandio, do Imeab
 Este é o primeiro resultado das oito oficinas de capacitação, três meses e meio de reuniões semanais de trabalho e planejamento; e alunos, professores e direção envolvidos de forma responsável para colocar "no ar" essa  proposta de comunicação dentro da escola. Não é apenas mais um som no pátio na hora do recreio, mas um instrumento de aprendizado, de aprimoramento de habilidades e uma ferramenta importante para o exercício da cidadania. 

Lançamento do Projeto Experimental "Pelo Mundo"

Por Vera Raddatz
Hoje à noite no auditório da sede acadêmica da Unijuí, as alunas de Comunicação Social Naiara Moraes (Publicidade) e Ramone Pacheco (Jornalismo) apresentam o seu Projeto Experimental "Pelo Mundo". A proposta é trabalhar a informação e trocar conhecimentos, por meio de um portal, com todos os interessados em viajar pelo mundo. Escolheram, portanto, o mundo digital para elaborar um trabalho que nasceu justamente do intercâmbio que elas fizeram na Universidade do Porto no ano passado.
Como professora orientadora, vínhamos acompanhando esse movimento desde o princípio, já com matérias postadas no blog "Na estrada". A ideia amadureceu  para o portal Pelo Mundo e pretende se desenvolver como um projeto profissional. O Pelo Mundo pode ser acompanhado no twitter e no Facebook.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Preservar o saber


Por Lisiane Sackis


Os alunos que frequentam a Biblioteca Universitária Mário Osorio Marques no campus Santa Rosa são incentivados durante todo o ano a se engajar em uma campanha permanente de preservação dos livros. Os 40 mil exemplares vão de periódicos até livros sobre as mais diversas áreas do conhecimento. O trabalho dedicado de manuseio e organização do material é feito por três assistentes em dois turnos: tarde e noite. O desafio das bibliotecárias é conscientizar os estudantes da importância de preservar o acervo para ter acesso ao saber. Por isso, elas entregam aos frequentadores da biblioteca marcadores de página com orientações sobre os cuidados.

Na semana do livro , a partir do dia 18 de abril, o trabalho se intensifica, inclusive com distribuição de panfletos informativos e uma exposição com os livros danificados. A assistente da biblioteca Paula Chrisothemos, que está há 2 anos na universidade, conta que é um trabalho constante: “ O que dá mais resultado é o corpo a corpo. A gente explica a importância do cuidado no dia a dia do atendimento”.



Regra básica: manter muito cuidado no manuseio dos livros
 A falta de cuidado com o acervo é o principal problema enfrentado e vai desde o aluno que arranca páginas até aquele que rabisca, molha, suja ou usa fitas adesivas que danificam o exemplar. O trabalho de recuperação é delicado e feito em Ijuí pelas bibliotecárias que tiveram um treinamento especial para isso. Muitos não retornam, por não terem condições de recuperação. Para alertar os universitários,algumas dicas são enfatizadas nos murais da biblioteca, como evitar grifos e anotações nas páginas, usar grampos, clips,alimentar-se ou fumar ao manusear os livros, dobrar as pontas das páginas, fazer qualquer tipo de reparo ou ainda expor os livros ao excesso de luz, calor e umidade.

Para que todo esse acervo possa ser consultado e preservado são necessárias atitudes simples como a conscientização do aluno, um cuidado que reflete a educação e a cidadania.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Redes sociais, juventude, alienação e revolta

 Taís Elisa Hammarstrom Beck

Desde o início dos tempos, a juventude sempre foi a voz crítica e contestadora da sociedade. Nada se fazia sem a adesão dos jovens que, com ou sem causa, costumavam se rebelar quanto ao modelo social no qual vivam, duvidando de tudo e de todos, e buscando a fazer a diferença. Quanto menos liberdade os jovens possuíam, mais vontade tinham de lutar por ela, de buscar espaço e usufruir o direito de expressar sentimentos e vontades. Enfim, juventude sempre foi sinônimo de atitude e rebeldia.
Com o término da ditadura militar, o povo brasileiro, bem como sua juventude, passou a imaginar ter voz ativa nos rumos da nação. A conquista do direito a eleger os governantes através de voto direto conseguida através do movimento “Diretas Já” e o sucesso popular, mesmo que, de certa forma, manipulado pela mídia, da derrubada de um presidente da república eleito de forma democrática, deram uma impressão ainda maior de liberdade e direito de escolha a essa população que tanto sofria por não poder se manifestar. Porém, o que parecia ser apenas o início de uma longa caminhada rumo à verdadeira democracia participativa no país, foi, na verdade, um dos últimos fatos conhecidos de comoção nacional em prol de uma causa. Um último suspiro de uma nação que, por tantos anos, teve o grito de liberdade preso na garganta, pronto a se manifestar através de cada brecha deixada pelo sistema.
A evolução tecnológica e comunicacional que marcou o período do final dos anos 1990 e ganhou força nos anos 2000 fez com que pudéssemos pensar em uma nova juventude revolucionária que, estando interligada pela rede mundial de computadores através de correio eletrônico, fóruns de discussão e, posteriormente, por blogs e redes sociais, e possuindo acesso privilegiado à informação, estaria apta a contestar a realidade e lutar por mudanças. Porém esta tendência não se concretizou.
Quanto mais fácil foi se tornando o acesso a informação e o contato entre pessoas de localizações geográficas distintas, mais o advento da comunicabilidade foi banalizado. A possibilidade de comunicar tudo, com todos, praticamente o tempo todo, fez com que a mensagem, que antes necessitava ser elaborada de forma clara, concisa e direta, para o melhor entendimento do receptor, se tornasse algo corriqueiro, transmitido a qualquer momento, sem apuração de forma ou conteúdo.

 Recentemente, o uso de redes sociais como Twitter e Facebook passou a possuir uma faceta contestadora, reunindo diversos jovens dispostos a discutir temas como liberdade de expressão, impostos, meio ambiente, entre outros. Alguns casos, como o da campanha “Preço Justo Já!” lançada por Felipe Neto, uma das personalidades jovens mais respeitadas dentre as assistidas no meio virtual pelo público jovem, ainda não conseguiu mobilizar o número esperado de assinaturas em um abaixo-assinado pela modificação dos impostos pagos sobre importação no país. Porém diversos protestos virtuais têm conquistado seus objetivos, como no caso da reprovação ao uso de pele de animais na coleção de uma famosa marca de sapatos e acessórios, que se viu obrigada a retirar de circulação os produtos geradores de polêmica, e, a organização via redes sociais para manifestações físicas, tais como a “Marcha da Liberdade”.
Resta saber se a participação dos jovens nesses processos é uma questão de libertação frente à alienação causada pelo meio, ou apenas mais uma modismo, bem direcionado, contudo esvaziado de sentido e verdadeiro espírito de transformação.






Ijuí: a memória construída com diversidade

A memória de um povo guardada através dos tempos, mantém vivo em Ijuí os primeiros passos dos colonizadores.

Etnias estão organizadas no Parque de Exposições de Iju
 
            É em Ijuí, no noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, que descendentes de várias origens cultuam as tradições dos seus ancestrais, então colonizadores desta terra. Aqui filhos, netos e bisnetos de alemães, italianos, austríacos, árabes, suecos, espanhóis, poloneses, africanos, holandeses, letos e portugueses preservam suas origens, guardam as histórias e valorizam seus costumes,  por meio de grupos étnicos.
            A “Terra das Culturas Diversificadas”, como é conhecida, foi colonizada por 18 etnias, além dos gaúchos, - que não é considerada uma etnia, mas deixa marcas na cultura. "É o único município do país que possui grupos étnicos organizados e instituídos, mantendo representativamente a utilização dos trajes típicos, música, dança, culinária, língua e suas casas ou centros culturais edificados dentro do Parque de Exposições Wanderley Burmann". A afirmação é do professor do Curso de Administração a Unijuí, Adelar Baggio e coordenador do processo de estruturação das Etnias de Ijuí.
Etnias - Esta forma de organização não deixa apagar com o tempo a história brava, de um povo corajoso que aqui chegou e iniciou o processo de colonização do município que cresce e se desenvolve a cada dia. “Ijuí foi a primeira Colônia Nova colonizada no norte do Estado do RS. Foi colonizada por três etnias juntas (alemães, italianos e poloneses) e logo depois se integraram os austríacos e, posteriormente, as outras etnias, quase todas de origem européia”, conta Baggio. Das 18 etnias que colonizaram a então chamada “Colônia Ijuhy”, 11 encontram-se organizadas, além da Querência Gaúcha.
            O dia 19 de outubro, em que se comemora o aniversário de Ijuí, marca o início da colonização, no ano de 1890.
 Ueti - Esta estruturação, conforme descreve Baggio, iniciou com “um trabalho denominado de ‘Ijuí na Retomada do Desenvolvimento’”, em que foi nomeada uma comissão, composta por entidades e instituições, que tinha por objetivo organizar uma nova etapa de desenvolvimento local, uma vez que ijuí estava em pleno desenvolvimento, tendo como um dos primeiros passos a criação da Unijuí, universidade na qual foi o primeiro reitor. Após, esta comissão começou a estudar o tema “Culturas Diversificadas”. Destaca ainda que a ideia cresceu e passou a ser chamada de “Movimento das Etnias de Ijuí”, tendo como marca “Ijuí, terra das Culturas Diversificadas”. Logo depois surgiu a Festa Nacional das Culturas Diversificadas (Fenadi), em 1987, juntamente com a 3ª edição da Exposição-Feira  Industrial e Comercial de Ijuí (ExpoIjuí).
            Após tratativas e processos que levaram a construção das casas típicas no Parque de Exposições Wanderley Agostinho Burmann, eis que em 1996 foi criada a União das Etnias de Ijuí (Ueti), que tem como objetivos: “Promover a União Étnica de Ijuí; Coordenar Eventos, Projetos e Atividades de interesse comum dos Centros Étnicos-culturais e estimular o intercâmbio com Entidades Congêneres”, tendo sua diretoria constituída pelos por representantes dos grupos étnicos. “Iniciamos com três etnias organizadas: alemães, italianos e holandeses. Até 1992 estavam em funcionamento as seguintes entidades: Centro Cultural Italiano, Centro Cultural 25 de Julho de Ijuí (Alemães), Sociedade Cultural Polonesa Karol Woytila, Grupo Cultural Herdeiros de Zumbi (Afros), Sociedade Cultural Holandesa de Ijuí, Centro Cultural Austríaco de Ijuí, Centro Cultural Português, Centro Cultural Leto, Centro Cultural Árabe, Centro Cultural Sueco, Centro de Cultura Espanhola e Entidade Tradicionalista Querência Gaúcha”, explica o professor. As casas foram edificadas com recursos próprios das etnias.

Embaixatrizes das etnias do ano de 2010

Sobre a “Terra das Culturas Diversificadas”, Baggio enfatiza ser definida pela então Comissão “uma marca forte da globalização é o entendimento na diversidade. A democracia é mais rica quando existe diversidade. Um dos principais e mais nobres objetivos da globalização é a fraternidade entre os povos e a busca da paz. Para tanto, deve-se buscar a eliminação dos conflitos. O movimento das etnias, entre outros objetivos, visa concretizar estes propósitos”.
Hoje - Atualmente participam dos grupos 2.311 integrantes. O presidente da Ueti, Nelson Casarin, destaca que as etnias estão num  períodos crescente, se organizando e se qualificando e que principalmente os grupos de danças estão em uma qualidade superior. “Todos têm um objetivo só, que é trabalhar em benefício da cultura do nosso resgate, das nossas culturas antigas, dos nossos antepassados, costumes e gastronomia, enfim, danças e vestimentas”, ilustra.
            Ijuí tem uma rica história reconhecida e valorizada. Por um período de dez dias que englobam o aniversário do município, é realizada anualmente no Parque de Exposições, a ExpoIjuí/Fenadi, momento em que a diversidade étnica-cultural ganha ainda mais destaque.

Materiais de pesquisa –
Texto: Movimento das Etnias de Ijuí/RS/Brasil. BAGGIO, Adelar Francisco. 2011.
Livro: Ijuí (RS): uma cultura diversificada. MARQUES, Mário Osório. Ijuí. Ed. Unijuí, 2002.
Site: http://ueti.org.br/inovaweb/
Fotos: site município de ijuí

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vozes femininas nas rádios de Ijuí

Por Ana Paula Badke da Silva
  

O rádio ultrapassou barreiras e deu origem a muitos avanços na sociedade, tanto na comunicação como no direito do cidadão à informação, consolidando-se como o grande veículo de notícias e prestação de serviços. Mas que voz é essa que sai dos microfones das rádios?
            Para conquistar as mesmas vagas que os homens no mercado de trabalho, o desafio feminino sempre teve um grau maior de dificuldade. Mesmo tendo sua imagem fortalecida e conquistado um espaço mais participativo na sociedade, no rádio, as mulheres sempre representaram um papel coadjuvante. A participação feminina por muito tempo ficou limitada à música e às radionovelas, pois a mulher não tinha credibilidade suficiente para atuar na área jornalística.

Lisete Maria

Em Ijuí, a presença masculina na programação das emissoras de rádio ainda é maioria.
 No início, as mulheres se faziam presentes nas locuções fazendo propaganda comercial. A programação era totalmente exercida pelos locutores homens. Com muita persistência, dedicação e profissionalismo mudaram essa história. Quebraram paradigmas, desmitificaram a profissão e abriram caminho para que outras mulheres passassem a conviver e disputar os mesmos espaços com os homens.
Vozes femininas que fizeram e fazem história em Ijuí:

- Lysette Maria Lenz: Sua carreira no rádio começou em 1961, na Rádio Progresso, onde apresentava o programa “Rádio Revista Feminina”. Em meados dos anos 70, passou para a Rádio Repórter, onde assumiu a apresentação do programa “Comunicação em Sociedade”. Durante 30 anos construiu, através do microfone, uma sólida carreira. Lysette se despediu do microfone da Rádio Repórter dia 20 de abril de 1995 e faleceu no dia 8 de dezembro de 2000 vítima de câncer.


- Ieda Maria Calegaro: Seu primeiro emprego foi no ano de 1982, na Rádio Progresso de Ijuí. Há 16 anos na Rádio Repórter, Ieda é responsável pela produção e apresentação do Programa “Comunicação e Sociedade” de segunda a sábado das 11h ao meio dia. É um programa com público e assuntos diversificados como moda, saúde, divulgação de festas e eventos, além da preocupação em levar a reflexão religiosa e entrevistas com profissionais em suas respectivas áreas.



- Priscila Callegari: Formada desde 2008 pela UNIJUI, trabalhou por dois anos na Mundial FM. Atualmente trabalha na Rádio Progresso. Nas rádios, atuou geralmente como locutora, redatora e repórter apresentando programas variados, musical e social. A opção pelo trabalho em rádio veio na faculdade, onde recebia elogios dos professores pela boa dicção e pelo timbre de voz.

As mulheres de Ijuí ocupam hoje horários que antes era privilégio dos homens. Já observam-se vozes femininas em temas regionais e programação AM. Continuam reinando absolutas nos programas de cunho religioso e social.

Todas essas mulheres merecem um lugar de destaque em nossas memórias, pois elas, com suas vozes aveludadas, seus carismas, suas características, contribuíram sobremaneira, para tornar as programações das emissoras de rádio mais suaves, delicadas e humanas.




terça-feira, 5 de julho de 2011

Os Punks não morreram... Alguns vivem em Ijuí

Por Larissa Soeiro
 
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Banda Esporrro

Na década de 70 o mundo assistia a eclosão daquele que seria um dos movimentos sociais mais expressivos da história e ao mesmo tempo um dos mais assustadores aos olhos da sociedade conservadora: o movimento punk. Com roupas rasgadas, coturnos, cabelos espetados, músicas de dois ou três acordes, rápidas que contestavam o modo de vida da sociedade capitalista e protestavam contra os problemas sociais os Punks chocaram o mundo.
Com o passar dos anos o movimento enfraqueceu, mas deixou seu legado pelo mundo. Quatro décadas depois de seu surgimento ainda encontramos alguns seguidores da ideologia ou mesmo admiradores da música vagando por aí.
Aqui em Ijuí os relatos dos primeiros contatos com o Punk vem do final da década de 80, porém nunca chegou a se formar um grupo que se auto-intitulasse Punk. Deste período até meados da década de 90 Lincon foi um dos jovens que circulou pelo underground ijuiense.
Naquela época não existia a internet e as pessoas não tinham dois ou três números de celular. As bandas se comunicavam através de cartas, trocavam fanzines e organizavam festas. “Fazíamos tudo sem apoio; no máximo um patrocínio do açougue tal ou do mercadinho. Usávamos o dinheiro para tirar Xerox do material de divulgação, dos cartazes, pra gasolina de algum carro emprestado pra levar a aparelhagem e para o rango das bandas que vinham. Desde o início era combinado que não se pagava cachê era tudo na boa vontade pra poder divulgar aquele movimento”, relembra Lincon.
Deste período bandas que marcaram o underground em Ijuí foram a Mictório Público, Bomba H e Clint Eastwood. Alguns anos mais tarde surgiu outra banda que fez muito barulho em Ijuí: a Dentes Podres. “Foi uma banda que causou impacto por mostrar raiva no tocar, ódio. Mas não ódio das pessoas, dos amigos, não disso. Raiva de tantas pessoas passarem fome, da desigualdade. A gente colocava nas letras raiva plena de tantos terem bastante e outros não ter nada. Era um som de atitude. A banda era agressiva mas num bom propósito.”, relata o baterista de Dentes Davi Boger.
Como acontece freqüentemente, poucas bandas saem da garagem e normalmente o período de existência das mesmas é curto. Anos após o fim da Dentes Podres, em 2008, os ex integrantes da mesma Davi e Sommer decidiram reativar um projeto antigo e com mais dois amigos fizeram surgir o som cru, feio, sujo e ruidoso da Esporrro.
Com suas letras de protesto contra a mídia e a sociedade falida, a banda movimentou o cena em Ijuí novamente. Os festivais Grito Underground I e II reuniram bandas de toda a região.  Na mesma época também estavam na ativa as banda de Hard Core Uzotro e a Canela de Cusco com seu Punk tosco.
Entre amigos e festas e a influência pelas bandas,  alguns jovens mantiveram a vontade de fazer alguma coisa diferente, de mostrar para o mundo que apesar de viverem em uma época onde as pessoas seguem os padrões impostos pela mídia e pelo capitalismo ainda é possível fazer a diferença.
Vários meios de manifestação surgiram em 2008. Algumas pessoas fizeram stencil nos muros da cidade, surgiu o fanzine La Decadence que criticava as misérias do mundo e também ocorreu o protesto antimilitarismo que aconteceu no desfile de 7 de setembro do mesmo ano, um pequeno grupo invadiu o desfile dos militares distribuindo panfletos sobre os malefícios da guerra.

Stencil nos muros da cidade


Galera
Uma das participantes das manifestações deste período foi Mi. Desde os 12 anos circulando pela noite de Ijuí ela conheceu o Punk por causa dos amigos, se identificou com as idéias e decidiu se movimentar. “Conheci na rua, conheci pessoas que me passaram sons e as idéias, comecei a gostar e decidi me mexer, protestar. Muitas pessoas discriminam, falam que é sem futuro, sem ideal mas eu acho que não, pois se tivesse uma maioria que lutasse por isso muitas coisas no mundo teriam uma solução.”, conta Mi, que acredita que o Punk ainda não morreu e que apesar de ser interior ainda podem surgir pessoas que darão continuação ao movimento.





Geração Y cria novo modelo de leitura

Leitura na web vem substituindo os livros para jovens contemporâneos
Uma biblioteca em casa. Esse era o sonho de muitos jovens do século XX. Entretanto, na sociedade moderna essa opção parece muito mais fácil do que em alguns anos atrás. Livros empoeirados e ocupando o espaço do quarto parecem não ser mais uma boa pedida para os jovens de hoje em dia.
O grupo de amigas, Anna Carolina, Ana Laura e Andressa faz jus a essa pedida. As meninas que adoram a cultura pop americana e idolatram Justin Bieber afirmam gostar de ler alguns livros, entretanto se tiverem que escolher entre ficar nas redes sociais ou ler o livro que foi pego na biblioteca elas não hesitam ao responder: “Internet!”. Suas mães até que tentaram fazer com que as garotas tivessem maior interesse pela leitura. No caso de Anna Carolina, ela conta que sua irmã lhe deu alguns livros de presente para incentivá-la a ler. “Ela até que acertou no meu gosto, me deu alguns livros interessantes e não muito extensos, mas eu canso rápido e acabo me entediando”, relatou.
Da infância à pré-adolescência, a leitura tem tido um número cada vez menor de adeptos. Tanto é real, que essa situação tem trazido à tona grandes debates sobre como deve ser a leitura na era digital. Desde criadores de políticas educacionais até especialistas na área da comunicação digital, o assunto tem sido debatido e a solução a que todos têm chegado é a do casamento perfeito entre literatura e era digital.
Ações como essa não estão muito longe de cidades do interior do Rio Grande do Sul, por exemplo. Um projeto coordenado pelos Mestres da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, Larry Wizniewski e Rosita da Silva Santos,  intitulado Mídia, Mediações e Ensino de Literatura para Adolescentes que tem por objetivo estar dentro desse padrão de adequação da leitura às mídias digitais a partir das teorias desenvolvidas em Educominação, “que é a união metodológica e pedagógica das áreas da comunicação e da educação, criando uma perspectiva teórica-prática que visa ampliar e qualificar através de recursos materiais e simbólicos da comunicação social, os processos de ensino e aprendizagem”.
O projeto tem como hipótese a possibilidade de redução do impacto negativo de textos de literatura brasileira, marcados por características de predominância da subjetividade, da polissemia e da indeterminação, junto aos alunos do Ensino Médio, através de traduções intersemióticas que objetivem aos aspectos mais subjetivos sem, no entanto, reduzir a intencionalidade autoral dos textos escolhidos.
O projeto ainda está em fase de testes, entretanto, no futuro, quando as amigas Anna Carolina, Ana Laura e Andressa chegarem ao Ensino Médio, poderá contar com um novo modelo de literatura mais atual e que pretende facilitar a leitura dos livros solicitados pelas provas de seleção como Vestibular e Enem. 
Todavia uma coisa é certa, a geração Y já intitulou uma nova modalidade ao estilo de leitura do século XXI. Cabe agora aos professores se adaptarem a esse novo perfil. 

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Etnia Holandesa: valores carregados na mala são eternos


Imigrante holandês Dirk Commandeur e sua família.


Os imigrantes holandeses, que chegaram ao Brasil em abril de 1911, difundiram sua influência em diversos estados, como Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná . O ser humano é um ser muito social, permitindo-se assim conviver com outros da espécie, mesmo que de diferentes identidades. E é desse convívio que nasce a relação cultural, a própria raiz da genialidade e da diversidade humana.
A vinda dos holandeses para o Brasil apresenta um fato importante, comparado a outras etnias. Os holandeses foram a única etnia presente nos três momentos institucionais do país, o período colonial, período imperial e período republicano.
Holandeses deixaram suas marcas no solo brasileiro. Hoje, uma conjunto de saberes e fazeres ainda se fazem presentes, a aplicação de produção na agricultura, pecuária, empreendedorismo, entre outros, são valores presentes até hoje e que jamais serão perdidos, tanto por descendentes como por pessoas que fazem parte de outras etnias.
Um pequeno grupo de imigrantes holandeses, chegou a Ijuí em julho de 1908. Esses imigrantes eram originários da Província de Noordland, localidade de Purmerend, na Holanda, e quando aqui chegaram foram alojados no barracão até que fossem destinados para os lotes que  lhes estavam reservados, localizados entre as Linhas 5 e 6 Norte, no atual distrito de Chorão. Esses pioneiros pertenciam as famílias, Commandeur, Owergoor, Hamaieer, Reithower, Kleÿn, Van Der Ham, Blom e Beust. Vários desses permaneceram em Ijuí, construindo aqui, sua nova vida.
Os holandeses revelaram senso de iniciativa e mostraram já no início os valores trazidos na mala. Com um espírito de organização, união e integração, realizaram a criação da Cooperativa Mista Tuiuti Ltda e a Cooperativa de Inseminação Artificial.
Segundo Theodora, Commandeur, filha do imigrante Dirck Commandeur, seus pais vieram para o Brasil, principalmente para a cidade de Ijuí, na procura de um lugar para morar e de condições melhores de vida. Os valores trazidos de suas cidades nunca foi esquecido, pelo contrário, assim que os pés estavam firmados em Ijuí, mostraram suas forças. Um espírito de união que poucos possuem. Esses imigrantes sempre tiveram uma preocupação com as causas coletivas e estavam preocupados com a busca de objetivos comuns.
Valores esses trazidos em uma longa viagem, mas que hoje, para muitos, principalmente para os descendentes, são o orgulho da etnia. Orgulho de ter se firmado em terras distantes das de suas reais raízes, tudo isso sem nunca deixar para trás os ensinamentos da cultura. Valores morais e éticos que nunca estarão longe e jamais serão esquecidos e sim, repassados para todas etnias, em qualquer solo.

domingo, 3 de julho de 2011

Assessoria de imprensa na região

Por Silvia Torma

A assessoria de imprensa é uma ferramenta da comunicação que faz a ponte entre uma instituição ou pessoa física e a imprensa. Ela se faz necessário no processo de envio de informações dirigidas para os meios de comunicação, sempre com um cunho noticioso (reportagens, matérias, colunas...) e não comercial, para que dessa forma conquiste um espaço editorial espontâneo nas mídias.  O objetivo desse processo, é aproximar a imprensa da realidade da instituição ou assessorado, para que se trabalhe a informação e imagem do mesmo.
É através dessa ferramenta, assessoria de imprensa, que os assessorados (instituições públicas ou privadas, ou até mesmo pessoas físicas, como pessoas públicas e personalidades públicas) conseguem difundir sua imagem. O assessor normalmente é alguém com formação em Relações Públicas ou Jornalismo, e tem a função principal de repassar para os meios de comunicação as informações relevantes, ocasionando um processo de informação, prestação de contas e principalmente, uma imagem positiva do mesmo, através de formação e/ou mudança de opinião.
Esse processo de construção da imagem do assessorado, se dá ainda dentro da instituição através de um trabalho de seleção e identificação de assuntos e ações pertinentes ao grande público, de um trabalho de criação de situações para que se dê essa cobertura, uma relação sólida e confiável com os meios de comunicação, implementação da cultura de comunicação com o assessorado, e por fim, divulgar informações pertinentes ao grande público através de cobertura editorial.
Em nossa região, observamos que tem-se aberto, nos últimos tempos, um mercado para essa profissão, muitas prefeituras e instituições que antes não viam importância nesse aspecto, hoje abrem suas portas para profissionais da área da comunicação, para que se faça esse processo de forma profissional e não mais de maneira amadora como se via em tempos atrás.
Segundo a jornalista Lisandra Steffen, Prof. de Política de Comunicação e Assessora de Imprensa da Prefeitura de Santa Rosa, “o mercado para profissionais da área de comunicação atuarem é o que mais cresce. Hoje cerca de 30% dos profissionais que se formam em comunicação social trabalham nessa área. Acredito que esse mercado deverá crescer ainda mais no interior, pois as empresas, instituições, cooperativas, enfim, estão percebendo a necessidade de ter um setor de comunicação para atuar com jornalismo, publicidade e relações públicas”. Isso se dá pela visibilidade que o processo de assessoria tem dado às instituições, em tempos de transparência e de um cidadão mais participativo.
“O trabalho que um profissional formado pode realizar é fantástico tanto de comunicação interna quanto externa” ressalta Steffen.

Esculturas guaranis escondidas em São Luiz Gonzaga


A Igreja Matriz de São Luiz Gonzaga possui uma presença marcante no município. Localizada em frente à praça central, possui uma beleza diferente e chama a atenção de todos que passam por ali. Mas muitos não sabem que sua maior riqueza encontra-se no seu interior, onde esculturas feitas pelos jesuítas estão espalhadas pela igreja, esbanjando história, cultura e curiosidades.Doze estátuas jesuíticas feitas pelos padres e guaranis estão presentes no local. Nelas não se identifica os autores nem o ano em que as imagens foram esculpidas, devido ao fato de os artistas das missões não assinarem nem datarem as obras. Os indígenas possuíam talento imitativo e esculpiam com habilidade usando técnicas e o estilo barroco ensinado pelos padres. A arte dos Sete Povos foi uma arte didática, pois sempre devia estar a serviço dos fins primordiais da evangelização.


O livro A escultura dos Sete Povos conta que o exercício da escultura nas Missões mantinha uma dupla necessidade, que seria promover os templos com imagens capazes de apoiar visualmente a pregação dos missionários, e por outro, preencher uma das exigências da pedagogia da Catequese. Ressalta também que entre as características mais marcantes das obras, além de ser barroco, os missionários e seus discípulos reproduziam “de ouvido” modelos do centro e norte da Europa. A maioria das estátuas eram talhadas em madeira, de preferência cedro, em sua totalidade eram policromas, algumas apresentavam articulações e um grande número delas mostravam cavidades dorsais. Supostamente cinco razões explicam a singularidade das estátuas missioneiras: evitar a madeira rache, mediante o ressecamento natural; os jesuítas se colocariam sigilosamente dentro da cavidade em determinadas ocasiões, embasbacando o bugre, que acreditaria na voz do pseudo-santo e se tornaria mais dócil à disciplina, ao esforço agrícola e às doutrinas impostas pelos padres; as cavidades também eram esconderijo de riquezas ou tesouros; diminuição do peso das imagens; ser o resultado da profanação dos catadores de tesouros.
Segundo o professor de história, Anderson Schimitz a estatuaria missioneira teve um papel muito importante na catequização dos índios e o feitio das estátuas serviu pra que os guaranis se interessassem pela religião. Explica ainda que os índios sempre foram artistas muito dedicados e o fato de eles construírem uma estátua religiosa os levou a entender quem eram os santos e porque eles tinham este poder. O professor ressalta que uma característica única nas obras missioneiras é a face dos santos, pois mesmo que os padres auxiliassem os artistas guaranis, elas eram feitas com feições indígenas. Revela ainda que os índios na sua inocência acreditavam que todo local que possuía uma estátua religiosa, Deus estava olhando para eles, assim poucos padres conseguiam comandar grande número de indígenas. Conta também que as imagens produzidas pelos guaranis eram articuladas, ou seja, eles faziam partes distintas do corpo para depois conectá-las para compor uma estátua única. Finaliza dizendo “A história das Missões ainda está por ser contata”, ou seja, ainda tem muito a ser descoberto, exemplificando obras que até hoje não se sabe a origem.
Na época era normal a execução mista das obras, ou seja, produzida por várias mãos, tanto padres quanto índios. Os missionários não cofiam aos indígenas a execução completa de uma imagem, sendo que os artistas nativos podiam apenas realizar obras secundárias: imagens para capelas de estâncias ou casas particulares. Existem imagens que chegaram a ser feitas em épocas diferentes.
As obras jesuíticas presentes na Igreja Matriz de São Luiz Gonzaga são de: Jesus Cristo, Nossa Senhora Mãe das Dores ou Nossa Senhora das Dores, São João Apóstolo e Evangelista, Santa Ana, Imaculada Conceição, Santo Antônio de Pádua, São Francisco de Assis, Santa Bárbara, São João Batista, Santo Izidro, Jesus Cristo Nosso Senhor dos Passos.
Jesus Cristo.






Nossa Senhora Mãe das Dores, ou Nossa Senhora das Dores.















São João Apóstolo e Evangelista.




Santa Ana: Mãe de Nossa Senhora.



Imaculada Conceição.

Santo Antônio de Pádua.

















São Francisco de Assis.


Santa Bárbara.

















São João Batista (menino).


Santo Izidro.














Jesus Cristo Nosso Senhor dos Passos.


Katiuze Nonemacher

A expêriencia única de uma sessão de cinema

Cinemas da região resistem às novas tecnologias e continuam a proporcionar bons momentos
Hoje o cinema faz parte da cultura de diversos municípios da região Noroeste e do Rio Grande do Sul. E não há nada melhor do que compartilhar os risos, sustos, suspiros românticos e mesmo o desejo de ser um super-herói com amigos e desconhecidos em uma sala de cinema. Uma experiência única, que somente o cinema pode oferecer com tamanha intensidade.
Muitos já não exibem belos filmes, sucumbiram a crises econômicas ou foram loteados por corporações comerciais e religiosas, porém, outros resistem bravamente às novas tecnologias. Um bom exemplo de resistência é o cinema na região noroeste do estado.

Fachada atual do Cisne (crédito foto: Rogério Satori)
O Cinema Cisne, em Santo Ângelo, é um belo exemplo de resistência às novas tecnologias. Inaugurado em 22 de março de 1958, com a exibição do filme “Viva Las Vegas” e em seus áureos tempos o chegou a comportar mais 1.500 pessoas. Como outros cinemas, também sofreu com os avanços tecnológicos e com a mudança de comportamento do público. Somado a isso, ainda enfrentou constantes mudanças no seu grupo de sócios, até assumirem: Flavio Fantinelli, Flavio Antônio Panzenhagen, Jairo Augusto Panzenhagen, Luiz Carlos Panzenhagen, Cláudio Fantinelli.

Público se diverte com as sessões (crédito foto: Rogério Sartori )

Um dos sócios do Cinema, Flávio Fantinelli, conta um pouco da história do Cisne e a importância de um cinema para o município:
video

Um fato curioso envolvendo o cinema na região ocorre em Panambi. O empresário Sefferson Steindorff, conhecido por seu acervo de viaturas antigas, como carros de combate, caminhões de transporte de tropas, viaturas de socorro, jeeps e outros, adquiriu a fuselagem de um Boeing 737, e neste, pretende inaugurar uma sala de cinema.


Boeing chega ao município (foto crédito: Leila Endruweit)


Na cidade de Ijuí, terra das culturas diversificadas, os habitantes não compartilham mais as sensações únicas de assistir a um filme em um cinema. Desde 2006, o Cine América não exibe mais filmes, fechou suas portas. No local foi aberta uma igreja, como está acontecendo em tantas cidades do Rio Grande do Sul.





Taís Machado




As ruínas missioneiras

Por Alécio Baroni
As ruínas de São Miguel  em São Miguel das Missões é conhecida internacionalmente por ser uma das ruínas mais famosas de todo o território brasileiro. A Igreja de São Miguel Arcanjo, além de ser muito preservada é conhecida como um conjunto missioneiro. No ano de 1983 no mês de dezembro a igreja de São Miguel juntamente com as ruínas de San Ignácio Mini, do país da Argentina, foram eleitas e reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade.
São Miguel das Missões tornou-se também palco de grandes eventos, iniciando com a apresentação do tenor José Carreras, em 1997 e de eventos importantes como a inserção ao vivo no Jornal nacional de 2009.
Segundo dados históricos a construção se iniciou no século XVIII, ano de 1735, e durou cerca de dez anos para a construção. O arquiteto italiano João Batista Primolli, foi quem ajudou no designe e na construção da igreja. A arquitetura da igreja mostra um estilo totalmente renascentista, e possui três naves com cinco altares dourados e cobertos de imagens de santos, em madeira e pedras, trabalhado com as árduas mãos dos índios.
 Essa igreja foi construída com blocos de pedras que pesavam até mil quilos, que se assentavam umas as outras com um ótimo recorte facilitando o encaixe das pedras. Numa das torres  havia cinco sinos, sendo um com mil quilos.
O Museu das Missões construído no ano de 1942 e projetado por Lúcio Costa, mostra esculturas de santos feitas pelos índios ou trazidas da Europa e também os sinos que pertenciam à igreja em seu funcionamento.
Dados comprovam que nos últimos anos a um quilometro dali foram descobertas fontes de água. A área construída deveria ter ao redor de mais ou menos seis hectares, a maior parte, hoje cobertos pela terra, existindo, sobre eles, diversas construções comerciais e públicas. Hoje se encontra ainda no subsolo de São Miguel um desconhecido, mas certamente importantíssimo patrimônio arqueológico.
Qualquer pessoa ao chegar diante das ruínas da antiga igreja de São Miguel impressiona-se com a grandiosidade e imensidão da construção, e ainda mais depois de conhecer a importância histórica que ela traz e do local aonde ela se encontra. Aqui em nosso estado como em outras reduções jesuíticas como por exemplo na da Argentina e do Paraguai, centenas de religiosos viveram entre os séculos XVII e XVIII onde teriam como objetivo também catequizar os índios. “Quando eu fui a primeira vez me encantei com o lugar e a cultura que existe no lugar, sem dúvidas foi inesquecível pra mim conhecer as ruínas de São Miguel”, avalia Vanessa da Rosa.
Diariamente acontece nas ruínas de São Miguel um espetáculo de som e luz, que dura cerca de uma hora, onde se projeta no início da noite. Também é muito bonito e deve ser visto. O espetáculo, realizado durante o pôr-do-sol, conta a saga missioneira e a formação do povo gaúcho. Também deve ser visitado ali o Museu das Missões. Possui cerca de cem imagens, com tamanhos variando entre 15 centímetros e 2m20cm, em pedra e madeira, talhadas pelos índios para decorar as suas igrejas.
Ao contrário do que muitos também possam imaginar, a presença indígena no local não se resume apenas a um passado distante, mas sim muito perto, pois hoje vivem cerca de 200 guaranis na região, em uma reserva criada recentemente a 30 Km de São Miguel das Missões. Lá se busca meios para garantir sua sobrevivência física e cultural, através da caça e da manutenção de plantações tradicionais, entre outros hábitos típicos. Os guaranis frequentam regulamente a cidade, inclusive vendendo artesanato dentro das ruínas.
O turismo das ruínas também atrai turistas para fazer passeios ciclísticos, em que o objetivo é tentar passear pelas estradas de terra próximas, margeadas de campos e paisagens exuberantes. Além das ruínas de São Miguel Arcanjo, existe mais três sítios arqueológicos que podem ser visitados no lado brasileiros das Missões: São João Batista, São Lourenço Mártir e São Nicolau. Neste último,  localizado no centro da cidade homônima, o visitante encontrará a adega jesuítica e a pia batismal. O sítio de São João Batista é considerado o de maior acervo arqueológico do Brasil. “eu fiz um teor por toda cidade de São Miguel também, fiquei fascinada com tamanha dedicação das pessoas e da receptividade que eu tive quando estava passeando lá. Tudo me encantou, aquela igreja fez com que eu me sentisse parte da história olhando em seus interiores”, acrescenta Vanessa.
Vale conhecer um bem histórico como esse, pois além de trazer grandes conhecimentos, traz uma lembrança inesquecível. Para fazer a visitas guiadas e aprender ainda mais sobre o lugar o valor é de R$50,00 para grupos de até 10 pessoas.